ARMAZÉM KID GÉO

LIV - SILÊNCIO


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ARQUIVO DO ARMAZÉM

OS ESPETÁCULOS

Quando a minha barba
cresceu pela primeira vez
disse à minha mãe
que o sertão ia virar mar;
e o mar virar sertão.

Quando a minha barba
cresceu pela segunda vez
disse ao meu pai
que não sabia responder
às perguntas que ele fazia.

Quando a minha barba
cresceu pela terceira vez
não disse nada a ninguém.
Em movimento de rebelião
sujei de sangue terras e mãos.

Quando se findaram os espetáculos
a sinfonia do tempo me arrastou ao camarim.
Fiquei entrecruzado, riso e lágrima, simultâneas emoções.
Eu de vasto peito, despido do meu rosto e vestido de mim.

103

103

BATIMENTOS

Tirei a sorte grande
das garras do azar pequeno.
Extrai a Rua do Ouro
do caleidoscópio de dinamite.

Arranquei a Rainha poética
das torres do tabuleiro de xadrez.
Raspei os bigodes metafísicos
dos heterônimos de Fernando Pessoa.

Tracei na noite amorosa
a meia-noite da noite seguinte.
Despi da fuga do líquido
a perda do perdão e a saudade.

Cortei o meu pescoço
da insensatez da minha cabeça.
Roubei da minha cabeça
o poema do seu coração.

102

102

GOSTO NÃO SE DISCUTE

Não gosto de dar exemplo.
Gosto de goiabada.

Não gosto do fruto da goiabeira.
Gosto da pedra abstrata.

Não gosto de aparecer em foto.
Gosto da harmonia da noite calada.

Não gosto de saudade malhada.
Gosto de risoto simples de frango.

Não gosto de bananada.
Gosto do significado de grafia.

Não gosto de doer lágrimas.
Gosto do fruto da bananeira.

101

101

INDISFARÇÁVEL

A máscara do perfil não sou eu.
Não sei a quem ela pertence.
Apesar disto me sinto a comédia
do lado esquerdo, a tragédia à direita.

Sem idealizações nem preconceitos
morais, estéticos sou naturalismun
da língua pra fora do centro da cor.
Fora a máscara que se deixou cair

não sou nada, semelhante, descendente
ou análogo ao jovem tempo do velho além.
De forma alguma escondo o coração,
a mais fiel cópia da verdadeira intenção.

100

100

DA BUSCA

Procurei, esforço
do pensamento, um poema
antigo para nu postar
no blogue do tempo moderno.

Encontrei inerente
ao sentimento um poema
recente no cruel adeus
da última página do caderno.

99

99

NÃO HÁ RAZÕES

Sem motivos para tristeza
me acho disforme, feio.
O monstro relapso real
teme ser a alma do eremita.

Poético assim exato belo
tempo peço olhais por nós.
Ininterrupto é o medo
sem motivos para ter o fim.

98

98

JUNTAMENTE

VER a praça do marcado encontro
MEN cionar ao vento o nome do amor
DA esquina caminhar ao musical coreto
TI rar para dançar a rosa sentada na tristeza
DE todos os movimentos dar a cor do Sol aos abraços
RA iados e envolvidos sonhos dos tempos enluarados

97

97

CONTRA-ARGUMENTO

Nada desejo falar.
Acabo ao céu dizendo.

Digo tanto do vermelho.
Acabo de me pintar de azul.

A vontade é ir embora.
Acabo por anos ficando.

Posso dizer não à caneta.
Acabo de me exprimir por escrito.

Tudo leva a crer que bebo água.
Acabo me impregnando de lágrimas.

Nada desejo suplicar.
Acabo no inferno rezando.

Digo tanto do Paquistão.
Acabo indo parar em Cabul.

A vontade é abraço agora.
Acabo no tempo te beijando.

Posso dizer sim ao silêncio.
Acabo de traduzir a voz do grito.

Tudo leva a crer que como terra.
Acabo me ensopando de formigas.

96

96

VERDADEIRAMENTE

Quando envelheci
a pele se tornou frouxa,
os cabelos sem pregas e ornatos embranqueceram,
os óculos foram substituídos
e senti uma incrível vontade
de comer quibe, pastel e segunda-feira.

Quando me adaptei
às mudanças do corpo
falei por entre dentes: -Porra!
Na manhã do dia proposto
atravessei a rua do meu alcance
e entrei determinado na Pastelaria Brasileira.

Quando não competi
com as outras vozes e ruídos do ambiente
esperei com paciência ser atendido.
Solicitei dois pastéis de carne,
dois de queijo e três quibes...
-Por favor, tudo para viagem!

Quando retornei
ao meu apartamento os talheres do almoço
estavam desgastados sobre a mesa,
as paredes pareciam perdidas na atualidade
e a tarde... ah, tarde de tantos usos...
entreguei ao mundo inteiro da bagagem.

95

95

PORQUANTOS SEM SENTIDOS

Por que escrever um poema nesta hora?
A inspiração não acorda mais comigo.
No lugar dos olhares umbigo.

Por que cantar uma música neste instante?
A voz não se projeta mais amigo.
Na garganta pólipo e código.

Por que viajar no vento neste momento?
O tráfego aéreo maximizou o perigo.
O plano de voo engolido pelo castigo.

Por que entardecer agora?
O tempo nem virá ser belo contigo.
A noite não é mais o que eu digo, abrigo.

94

94

AGORA

Manhã para simples voar.
Asas das nuvens loucuras mudas.
Sob o infinito a cidade silêncios.
Voo, e não há nada agora a se escrever.

O dedo indicativo, mão direita, dói.
Para os jovens transeuntes das poesias
a dor o alto teor de ácido úrico nas ventanias.
Para os velhos hóspedes dos ares

a dor a inflamação dos poemas.
A imaginação das letras tentativas de fugas.
Sobre silêncios infinito é a saudade.
Pouso, e não há nada agora a se sentir.

93

93

DEMAIS

A letra é mais breve.
A rapidez é mais aguarde.
O segundo é mais invisível.
O segredo é mais cinema.

A sílaba é mais atávica.
O remorso é mais remoto.
O minuto é mais suscetível.
A víscera é mais fonema.

A palavra é mais poética.
O devaneio é mais alternativo.
A hora é mais tangível.
O tempo é mais gangrena.

92

92

PEDIDOS

A fome solicita X-churrasco,
maionese, vinagrete, nota fiscal
e crédito em débito para viagem.

A sede explicita outra cerveja,
copo novo, amor de conhaque
e que se molhe o decúbito dorsal da estiagem.

91

91

AMANHÃ

Tento escrever um poema
não é de estar nem é de hoje.
O título do poema quero
que não passe de Amanhã.

Estou de tênis vermelho e branco.
Maneira calça faroeste moderno.
Preta camiseta, cor bronze de Sol.
A poesia, no entanto, me quer Lua

dos pés à cabeça, de ontem e hoje.
Existo em dizer amanhã será outro hoje.
O hoje adora ouvir estas coisas:
- Depois de Amanhã receberei um telefonema.

90

90

TÊ-LA TELA

A cor está branca
feito o branco do giz.
Parece pedra ferida, barcarola.
O giz bonito na louca tela
de tê-la suspensa no fervor.

Por onde quer que eu ande
no reino flutuante do coração
pareço escrever vento em rosa.
A pétala bonita por tê-la louca
na tela intensa do amor.

89

89

QUESTÃO DE TEMPO

E se a hora
não for esta?
Poderia ser a hora
aquela outra hora?

E se o dia D
não for exatamente a letra D?
Poderia o dia
ser a noite E?

E se o futuro
que há de ser não for
esta beleza toda?
Poderia o presente ser o tempo permanente?

88

88

NOITE FRIA

Numa noite fria como esta
a luz do poste neva na rua.
O cachecol cai na calçada branca.

Ao apanhá-lo acho sem querer
os adeuses dos seus olhos quentes.
Mãos nos bolsos o vento nos leva embora.

87

87

VER PARA CRER

Procurei no álbum de retratos uma foto
que eu verde de amor surgisse no palco
encarnadamente a atuar extrovertido
na pele de um introspectivo personagem.

- Encontrou alguma fotografia fingidor?
Pergunta-me Mary Michelly, a puta zarolha
da Boate Etelvina, amante de Asdrúbal, o gladiador.
- Só achei bagatelas dos sentidos figurados.

86

86

VIRÁ

Era para o namoro,
mãos e lábios dados,
ter se inventado o ano passado,
mas as cores, os reversos, as dores...

Dane-se a outra época
do tempo e viva o vento.
O que se passou passou
passou passou passará!

As flores retornaram velozes, felizes.
E segue agora o oceano.
Estou living in the wave.
Hoje comecei a namorar Li Vanda Sarah,

a chinesinha da barraca de pastéis.
A feira de sexta corre o ano de 2015.
Foi olhar com olhar, poesia com catupiry,
promessas e Sol para depois de amanhã.

85

85

SELFIE

Meu quando gosto
cabelos das flores
demência éter cativeiro

Ressurgir ocasião das cores
alma enigma do rosto
imagem céu paradeiro

84

84

BASEADO EM F(ATOS) IR(REAIS)

Agora
vou lá
embaixo
levar o luxo
pro lixo.

Agora
ao voltar
do baixo
trago o fixo
no fluxo.

83

83

POR OCASIÃO DE

Quando uma hora se dissipar
da meia-noite do meio-dia
comerei o hipotético da carne:
metáfora.

Quando uma hora se transbordar
do meio-dia da meia-noite
beberei o figurado do sumo:
essência.

82

82

I CAN NOT GET OUT FROM WITHIN

Eu não posso sair de dentro.
A pia povoada de pratos, lágrimas, talheres.
O chão é cria do abismo laminado.
A parede me prende no triste mundo.

A sensação de tato é a mão na gastura.
O banheiro flutua nos vapores, cadeados, meias.
A parede me prende no triste mundo.
Eu não posso sair de dentro.

Eu não posso sair de dentro.
O cômodo repleto de roupas, manchas, frios.
A porta criada entrada sem saída.
O mundo me prende na triste parede.

A solidão menstrua sobre a pá de lixo.
O desejo perdeu as fomes mergulhado nas sedes.
O mundo me prende na triste parede.
Eu não posso sair de dentro.

Eu não posso sair de dentro.
Um avião se move sem asas, sem sons, sem sombras.
O pão cortado com facas plenas de untos dos bolores.
A tristeza me prende na parede do mundo.

O jornal se acumula nos passados das notícias.
O colchão me deita faquir mortificado.
A tristeza me prende na parede do mundo.
Eu não posso sair de dentro.


81

81

JÁ SABARÁ FUI

De Belo
De Dia
De Ônibus
De Trem
De Carro
De Bicicleta

De Horizonte
De Noite
De Andança
De Minas
De Gerais
De Saudades

80

80

HINDI

Estou procurando poema para te mostrar.
Segunda-feira vou estar em Calcutá.
Meus pés só querem asas se o rio andar.

Quando eu voltar da Índia vou ao cinema.
Se chover tanto assim meu íntimo o seu perto.
O rio só quer andar se meus pés voarem.

Visto do alto o úmido é sinuosa onda.
Rio no mar sim aceito o lassi da região de Punjab.
Estou procurando poema para te levar.

79

79

ÍNTIMO

Seco, trépido, osso oco.
Sou do mesmo modo nome.
Pronome de você impessoal.

Teso, áspero, soco tosco.
Vago sujeito frase da fome.
Cognome de você sensorial.

78

78

SUBMERSÃO

Se o mar ficasse parado
instante a trinta minutos daqui
buscaria agora táxi, movimento, onda.

Se o instante fosse assim
embora eu nada saiba do seu coração
pelo mover do oceano me apaixonaria.

77

77

O LIVRO

Estou de partida da palavra 42
da história contida em 1.136
páginas repartidas por 2.

Uma coisa tipo vazia agenda
tem a ver se na chuva escrevo:
O outro tipo, a coisa, habita a tenda.

Quase naquela noite ou era dia?
Entre o clássico e o new age o amor,
melodia, se me escapasse eu o confessaria.

À vista relâmpagos, trovões, enxurradas, o agora.
Anos e plurais velozes acontecem, passam.
Natureza das asas na cabeça do ir-se embora.

Estou de partida da palavra 43
da história contida em 1.136
páginas repartidas por 3.

76

76

PRETÉRITO IMPERFEITO QUERER DO INDICATIVO

Queria que as águas, calor, logo transbordassem.
Os ventos as sedes da boca sem tardanças entendessem
quando as campainhas em seguida tocassem:
os morangos também desejarão os chocolates da sorveteria.

Queria demonstrar a idade.
Atirar o pau no gato do berro que o gato deu.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... E as letras
me achassem escondido na saudade.

Queria sair sem hora para voltar.
Habitar esquinas das orquestras dos bares.
Cruzar cidades, e todos os contos fotografar.
De o tempo trazer o amor do Sol pelos luares.

Queria amanhecer nas minas do horizonte.
Navegar nas correntezas dos rios.
Subir nas montanhas, belezas gerais.
Sobre as nuvens anoitecer nas estrelas da fonte.

Queria viver neste e noutro instante.
Viver sem ter ferido, sem ter morrido.
Morrer assim nascendo, entrelaçando linhas.
Somas das pazes em poema acarinhante.

75

75

NO CASO DE

Se você e a poesia
curtirem esta merda
de poema que escrevo

vou correr à esquina
onde vive um bar
ruído, imundo e feliz.

Vou esperar você e a poesia
porque segundo o amor,
e o li nos cartazes das lojas,

tudo é possível naquele que crê.

Se a poesia e você
curtiram esta merda
de poema que escrevi

vou voar à cidade
onde vive indolor
o princípio do beijo.

Vou esperar a poesia e você
porque segundo o amor,
e o reli nas alturas das nuvens,

meu coração pulsa infinito quando te vê.

74

74

BEM

Bem que queria
é o bem que nasceria.
E o bem que viria
seria o bem que morreria.
Assim o bem que anoiteceria
nem chegaria a ser, a existir
no bem que amanheceria.

Quando outro bem todavia
nascesse brando na cor
do bem da calmaria
o bem que haveria de sorrir,
de se ter no bem que queria
voaria para dentro do bem
que a todos os bens amaria.

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73

PERIGO CHAGADO

Na manhã de lua cheia
a dor vívida vivida por inteira
corta faca coração pela metade.

Na tarde do espaço preso
a estrela transferida como exemplo
custa não conta sim tange a cidade.

Na noite do sol morto
prestes corpo não decomposto
cruza amor o risco da maldade.

ARMAZENADO 72

ARMAZENADO 72

SAMBA BOX

Só samba rouquenho
vagabundo gosto
de sugar o ritmo.

Eu era caixa
madeira alma de uva
mais dia menos dia.

Só samba desenho
ser no mundo de vagar
essência da particularidade.

Eu flutuo cúmulos-nimbos
astronauta sem rota e nave
deserto sem nenhuma solidão.

Só samba tenho
se do contratempo choverdes
onde me revelas dança te guardaria.

ARMAZENADO 71

ARMAZENADO 71

SINTO MUITO A SUA FALTA

Quando sinto saudades do fim
começo a escrever o desembestar-se danado.
Visto que as saudades são de poesias
caminho espírito num mundo visível.

E ao chegarem as saudades das épocas
viajo de caravelas no rio-mar do tempo.
Ao pegar o trem das saudades das montanhas
deixo as nuvens me cobrirem de trilhos.

Desde que as saudades sejam dos doces
conto os cristais dos açúcares nos lábios dos vãos.
Se as saudades dos corpos são lembranças d'alma
as transparências me revelam nas ausências.

Agora se as saudades forem de ruas e esquinas
entro nas dimensões do Google Earth e espero...
No caso de as saudades me brotarem das belezas
encontro sementes de saudades sem-fim.

ARMAZENADO 70

ARMAZENADO 70

CURTINDO REUNIÃO CURTIDA

Eu curto Hollywood.
Eu curtia romance.
Eu curti arquitetura.

Tu curtias sonho.
Tu curtiras insônia.
Tu curtes rouquidão.

Ele curtira gesso.
Ele curtirá santo.
Ele curte castelo.

Nós curtíamos devaneio.
Nós curtiremos madrugada.
Nós curtimos amanhecer.

Vós curtistes simplicidade.
Vós curtireis sofisticação.
Vós curtis completude.

Eles curtirão poesia.
Eles curtiriam belezura.
Eles curtem Bollywood.

ARMAZENADO 69

ARMAZENADO 69

A MESA

Toda hora da manhã tomo o almoço
todo dia nesta hora de meio-dia.
A mesa sem toalha vaga vazia
na mesa lágrima no seco alvoroço.

Todo vício da tarde tomo o encanto
todo dia nesta hora de calor lentas horas.
Ir embora ou fazer permanecer tanto
na mesa papéis e versos dos agoras.

Toda chama da noite o jantar
todo dia nesta hora de vela e vigília.
Torno amante na mesa o sorriso do ar
e na mesa estendo Marília nos beijos de Cecília.

ARMAZENADO 68

ARMAZENADO 68

DIÁRIO

Acordo com gosto de rosa na boca.
Não me demoro no mergulho e há sol.
O céu dizem lá fora está azul.
Coloco no corpo a nudez do blue jeans.
Corre-me na veia o desejo de escrever.
O poema se inicia com o gosto e a boca.

Fecho a tempestade no oceano do oásis.
Não me prolongo na miragem e há fel .
O azul dizem está cinza no céu.
Escolho na mente a palavra diário.
Escrevo o instante do amor perdido.
O poema se conclui com a flor e o deserto.

ARMAZENADO 67

ARMAZENADO 67

POESIA DA ÚLTIMA PINTURA

Sou TRANSLÚCIDO assim
desde o O da conversa
mágica no jardim da infância do vaga-lume

Desde o PO do relâmpago e trovão
sou assim TRANSLÚCI chuva
bucólica à vista da melancolia do vitrô

Genético sinal de amor de Minas Gerais
desde o MPO da montanha
sou TRANSLÚ assim

Desde o EMPO do bar, música da esquina
cinética do encontro noturno com o acaso
sou assim TRANS

Sou assim TRA
encáustica entusiasmada com a forma da luz
desde o TEMPO do primeiro poema de amor

ARMAZENADO 66

ARMAZENADO 66

QUANDO DESEJEI SER POETA

Encontrei cítara no bolso
da minha calça de brim.
Poderia ter achado pente, arquejos,
coração, fotografia, semente, jasmim,
Norte, Sul, Leste, Oeste,
bilhete, dia de sol, pulso, três beijos.
A que lugar fosse dar de cara,
noite de lua, viajaria assim
à doce lembrança de você.

ARMAZENADO 65

ARMAZENADO 65

SUPERESPECIAL

Ela escreveu
Ele leu
Ela sorriu
Ele sonhou

Ela desejou
Ele viajou
Ela tempo
Ele vento

Ela longe
Ele perto
Ela natura
Ele cinema

Ela foto
Ele grafia
Ela teorema
Ele poesia

ARMAZENADO 64

ARMAZENADO 64

NESTE DIA

Agora é domingo
no domingo que é manhã.
E vem a tarde e seus clamores
repletos de esperanças no tocar
dos voos das vontades, saudades
transformadas em pássaros de flores.

Em chamas te disse tantas vezes
agora é domingo.
E vem o desejo de ser azul e voar com os amores.
Eles moram longe como me habitam perto.
Uns são verbos no infinitivo, plurais nos singulares.
Outros os tempos nos pousos das cores.

Agora é domingo
na tarde que arde na noite...

ARMAZENADO 63

ARMAZENADO 63

FLASHBACK

Na noite que Superman
voou além das nuvens com Lois Lane
escrevi um poema súbito, espontâneo.

Versos brandos, tenros.
No entanto uma canção incendiária.
Fogos invulneráveis do se querer com tal força.

Na noite que Clark Kent quase confessou
a Lois Lane ser o hipnótico Superman
saboreei balas de alcaçuz no entreposto dos amores.

Nos silêncios além das nuvens platônicas
senti o perfume da flor de lótus
nas memórias de tudo que já vi, li e ouvi.


ARMAZENADO 62

ARMAZENADO 62

AGORA O MOMENTO ZEN

Agora o momento zen
para escrever o poema
dedicado ao cheiro da alfazema.

O poema começa assim:
Nesta proposição demonstro
o teorema sem problema.

Agora o momento zen
para desinclinar o trema
do calmo unguento do dilema.

A tremura termina assim:
Nesta paixão elevo
o ecfonema sem problema.

Agora o momento zen
entre o início e o fim do estratagema.
Meu metapoema é o ardil do subsistema.

ARMAZENADO 61

ARMAZENADO 61

TRÊS GRITOS

No tudo não se despiste.
O tudo está por um grito.
O tudo machuca o fabrico.
O tudo é o nada em riste.

No nada não se informe.
O nada está por dois gritos.
O nada se dá aos alaridos.
O nada é o vazio e existe.

No vazio não se encoste.
O vazio está por três gritos.
O vazio seca os mares oníricos.
O vazio é o tudo triste.

ARMAZENADO 60

ARMAZENADO 60

TRILHOS

intermináveis trilhos
interminávei trilhos
intermináve trilhos
intermináv trilhos
interminá trilhos
intermin trilhos
intermi trilhos
interm trilhos
inter trilhos
inte trilhos
int trilhos
in trilhos
i trilhos
t trilho
tr trilh
tri tril
tril tri
trilh tr
trilho t
trilhos i
trilhos in
trilhos int
trilhos inte
trilhos inter
trilhos interm
trilhos intermin
trilhos interminá
trilhos intermináv
trilhos intermináve
trilhos interminávei
trilhos intermináveis

ARMAZENADO 59

ARMAZENADO 59

IMENSIDADE

Antes de existirem mares
as ondas eram metáforas.
Mergulhavam ardentes
na relação de semelhança
entre sentimentos dos ares,
razões dos profundos amares.

Depois as úmidas metáforas,
sob solitárias noites estreladas,
em movimentos frequentes
desejaram eternas os ventos.
Por amor se deitaram nas areias, fantasias.
Mares nasceram oceanos de poesias.

ARMAZENADO 58

ARMAZENADO 58

ANTES E DEPOIS DO TEMPO NO DIA EM QUE ESTOU

Acordo tarde.
Esfrio quedo.
Nada arde.

Ponho medo.
Como verde.
Doce azedo.

Calo alarde.
Sonho dedo.
Ando lorde.

Rezo credo.
Poeto acorde.
Ganho bredo.

Danço arte.
Piro ereto.
Chego aparte.

Vivo ledo.
Tudo corte.
Durmo cedo.

ARMAZENADO 57

ARMAZENADO 57

MEIO-DIA

Meio-branco
Meio-busto
Meio-gordo
Meio-voo
Meio-Norte
Meio-campo
Meio-jogo
Meio-fio
Meio-peixe
Meio-triste
Meio-fundo
Meio-preto
Meia-noite

ARMAZENADO 56

ARMAZENADO 56

UMA BOA HORA DE IR E VIR

À Padaria Trigo & Companhia
estou indo, e indo também ao Armazém.
Ela fica ao lado do Kid Géo.

Você quer alguma coisa de lá
ou a coisa querida fica indo e vindo
do lago distante ao lado de algo?

ARMAZENADO 55

ARMAZENADO 55

INSTANTE ENREGELANTE

Invoco o elevador.
O jardim está gelado.
Mão em solos polares.

Um homem passa na calçada.
Diz a todos que será o Sol.
Sombra na esquina, na saudade.

Uma mulher passa na nuvem.
Diz a poucos que será a Lua.
Hipotermia na flor da poesia.

ARMAZENADO 54

ARMAZENADO 54

OS BRINCOS

Não escuto no coração
as horas dos relógios
porque inexequíveis
são os sons dos relógios

dentro do nu do tempo
que se veste amiúde apenas
com movimentos constelados
das paixões, amores e apenas.

Quando entro no pulsar
do hotel do quarto branco
vejo a velha senhora em dança
despida do véu branco.

Transparente, pergunta
se eu na espiral passo frio
no leite vermelho, groselha
das pérolas sob o sol frio.

Afagos, e dou-lhe das ostras
pares de corpos e de brincos.
Sem perder o tempo das carícias
ela amante come os brincos.

ARMAZENADO 53

ARMAZENADO 53

E SE

E se o almoço
não nos comesse
na hora do jantar?

E se o jantar
não nos bebesse
na hora do comer?

E se o comer
não nos faltasse
na hora do viver?

E se a hora
não se ausentasse
no segundo do comer?

E se a bebida
não se secasse
no minuto de se ter?

E se a tristeza
não se hospedasse
na certeza do morrer?

ARMAZENADO 52

ARMAZENADO 52

IREI RIO

For pro rio
pro rio voo.
Vou pro rio.
Pro rio

sobre
voo o vou revoo.
Pro rio ressoo.
Daqui escoo e flor.

ARMAZENADO 51

ARMAZENADO 51

APARTAMENTO

Há nos ares o apartamento dos nove ventos.
Entre paredes sou o hospedeiro e o hóspede.
Moro nos andares das memórias das palavras.

Há nas águas o caminho da cabeça aos pés.
Nos estreitos ninguém na morte de alguém.
Amo no mundo dos restos, portas versos janelas.

Há nas paisagens chaves, línguas, almas.
Em todas as fomes habito a vida da sede.
Escrevo na parede terra e fogo: dois adventos.

ARMAZENADO 50

ARMAZENADO 50

DIÁRIO DE UM PRÍNCIPE SEM SORTE

Confiro os resultados dos jogos:
Bicho, Dupla Sena, Federal,

Instantânea, Loteca, Lotofácil,
Lotogol, Lotomania, Mega-Sena,

Quina, Timemania e o Reino a Quatro.
Caso eu ganhe, Diabo, a juros módicos

eu te emprestarei vultoso valor, apreço
e tu poderás comprar a minh'alma enfim.

ARMAZENADO 49

ARMAZENADO 49

VÓS NOVEMBRO NAQUELE MAR DE SE

Se eles, os argonautas, tivessem morrido
naquela dourada manhã de Novembro
os ventos jogariam as cabeças ao mar pleno.
E na Lanchonete Netuno tu terias comido
sanduíches de poesia com presunto e velo.

Se ele, o assombro, tivesse morrido
naquela escusa tarde de Novembro
as nuvens andariam sobre os ventos inertes.
E no santuário da tristeza tu terias bebido
o sangue dos anjos no além-mar do coração.

Se eu, o versejador, tivesse morrido
naquela isolada noite de Novembro
as tempestades imergiriam nas nuvens poéticas.
E na rima viva tu terias romance escrito
nos lábios dos beijos do corpo do mar alto.

ARMAZENADO 48

ARMAZENADO 48

A DAMA DE PRETO

Todos os dias a dama de preto
passa inclinada perto da janela.
Ao sentir lilás o seu perfume
levo o gesto ao coração
porque numa noite o sol me doerá
e os dias adormecerão ao lado
de todas as horas sem tempos.

Todas as noites a dama de preto
passa propensa perto da porta.
Ao sentir vermelho o seu corpo
seduzo a tentação da vida
porque num dia a lua me cortará
e as noites se entorpecerão perto
de todos os minutos sem horas.

Todas as madrugadas a dama de preto
passa determinada perto do sonho.
Ao sentir as outras cores da sombra
ergo-me e vou embora dos ventos
porque num tom o coração morrerá
e os amores despertarão dentro
de todos os segundos por fim.

ARMAZENADO 47

ARMAZENADO 47

SONHO

Estou sem poema pronto.
Não há dor nem amor.
Estou em alguma vez inerte.
Há a falta de cor e o algor

do nada no nenhum encontro.
Se em um dado momento
o poema se mover numa flor
é o sonho no verso do flerte.

ARMAZENADO 46

ARMAZENADO 46

NENHUMA FLOR

Tem hora: penso em parar com as flores.
Tem minuto: penso das coisas um tanto.
Tem segundo: penso em nada, nada.

Tem ano: sinto em parar com as dores.
Tem mês: sinto nas coisas um pranto.
Tem dia: sinto em nada a falta do nada.

ARMAZENADO 45

ARMAZENADO 45

PARA (ll) ELA

Duas retas
dois olhos
a te olharem
num ponto
do infinito
a te cuidar.

Duas retas
dois olhos
a te amarem
que nem
só o infinito
sabe amar.

ARMAZENADO 44

ARMAZENADO 44

CONTATO

Vede as colinas ao redor.
Deite-se sobre os varais.
As roupas brancas ao sol.
Ainda logo passará o avião.

Vede os edifícios ao redor.
Mil vezes mil plurais ao vento.
Ouça o barulho das janelas.
O sem mais tardar azul às asas.

ARMAZENADO 43

ARMAZENADO 43

SE ERAS

Se o fim é o que fosse.
Se o fosse é o que sinto.
Se o sentir fosse o início.
Se o início não fosse o fim.

Se o pensar fosse o que fosse.
Se o comer fosse o ausente.
Se o ausente fosse o vazio.
Se o vazio fosse o pensar.

Se o amor fosse o reter.
Se o abstrato fosse o físico.
Se o físico fosse o eterno.
Se o eterno fosse o não ser.

ARMAZENADO 42

ARMAZENADO 42

CORAÇÃO DO HOMEM BOM

Coração não está frio ou gelado
nas noites das neves nos telhados.
Deseja a liberdade da ação
nos campos iluminados da boa sorte.

Escuteis os silêncios dos gritos de dores
no peito desarmado do homem bom.
Pulsações penetram nas músicas da fé.
Vozes dos anjos nas nuvens os sentimentos.

Coração não está morno ou quente
nas noites das luas nos desertos.
Deseja o tempo o levar ao fim
nos inícios dos ais nas cores do corte.

Tingireis de prantos as ruturas dos amores
no ser à vista do homem bom.
Pulsações movem as asas dos anjos.
Surpresas das nuvens nas luzes as vidas.

ARMAZENADO 41

ARMAZENADO 41

DESCRIÇÃO NOMEANTE

Nasci em choro de silêncio.
Na longa missa do vento no rosto
recebi, famoso com a lança, o nome de Rogério.

O afeto familiar me chamou de Géo.
Nas palavras servidas gestos dos pensamentos
assinei Rogério Pimentel nos primeiros poemas.

Entre pureza Géo e pecado Pimentel
irrompeu magrém cognome Minhoca,
a essência andarilha, víscera da montanha.

Na estrada do tempo verde, fogo e Géo ficaram Rô.
Rogério, o recebido lançador, tornou-se Rô.
Rogério Ramos, o não outro, harmonizou-se Rô.

Rogério Ramos Pimentel em cinzas de Minhoca perdeu-se Rô.
Vento não dura para sempre nem é exatamente igual.
Morro silêncio ímpeto futuro entre a lança e Rô.

PREAMAR

Tem de cor a cor da areia?
Basta de amar curto.
Quero amar grosso.
Ardor nas águas da maré-cheia.

Está a par da ausência inteira?
Quero amar curto-circuito.
Ávido comer a carne, lamber o osso.
Amor saído acaso do fortuito.

ARMAZENADO 40

ARMAZENADO 40

ANJOS DESCONTÍNUOS

Não adianta me mandar pro inferno.
Outro dia mesmo bati na porta do demo.
Estava quente, suores derramados à toa.

O inferno não quer mais saber do inferno.
O anjo negro não se ocupa com imortais desamores.
Os tempos são outros e na ausência saudades.

Trouxe uma flor colhida no mato em jardim.
Outra noite mesmo apanhei-a no bem-querer.
O coração não se esquece, vulcões e erupções.

O céu não quer mais saber do inferno.
O anjo branco se entrega aos mortais amores.
Os ventos são outros e no silêncio fragilidades.

ARMAZENADO 39

ARMAZENADO 39

AI JESUS

Se a vida no tempo
é o tempo que eu tenho
por que o impossível
me faz chorar se o amor
deveria ser a alegria?

Se a vida no vento
é o tempo que eu tinha
por que a ventania
não me levou ao longe
onde o amor nasceria?

Se o tempo na vida
é a vida que eu tenho
por que o possível
me faz tremular se o amor
deveria ser a calmaria?

Se o vento na morte
é a vida que eu tinha
por que a ladainha
não me buscou ao perto
onde o amor cantaria?

ARMAZENADO 38

ARMAZENADO 38

AROMAS, SONS E FLORES

Nos aromas escuto
talheres ao abrir a gaveta,
ônibus no destino do ir e vir,
aviões na estrada de nuvens,
latidos dos cães sem donos,
encantos no mover-se do corpo das flores.

Nos sons cheiro
café coado ao início da manhã,
vento do sol a entrar pela janela,
as boas coisas do dia de ontem,
sabonete vermelho na espuma das mãos,
vida no mover-se do olhar das flores.

ARMAZENADO 37

ARMAZENADO 37

O PRIMEIRO TELEFONEMA

Quando pela primeira vez
telefonei para Nísia Estrela Polar
perguntei sobre os cabelos.

-Estão como sempre!
Ao ouvir a voz da moça
desatei-me dos escuros trovões.

Tal telefonema aconteceu
num bar na Rua Alva Vazia.
Chovia e ventava muito na noite.

-E se o vento encostar nos cabelos?
Falamos velozes e lentos por dez minutos
contados no relógio alto do castelo.

Tal castelo tinha nas torres ponteiros,
desertos azuis, relâmpagos reais.
A voz de Nísia Estrela Polar tem coração.

-Continuarão os cabelos limpos e soltos!
É do coração da moça que vem o sotaque.
Juventude do rio grande nos cabelos longos.

ARMAZENADO 36

ARMAZENADO 36

BAR DA PRAÇA DAS COISAS

Escrever o poema hoje
seria a extensão do bom.

Como iniciá-lo se o amor
me deu adeus e o bar me chama?

Escreveria-o a lápis, grafite,
ponta de carvão no papel sulfite.

As coisas começam assim.
Quando vem a dor a rima é o coração.

Ler o romance hoje
seria a fantasia do bom.

Como findá-lo se o coração
os olhos piscou na chama do bar?

Terminaria-o cristalino, sorriso,
ponta de feldspato na leitura do feitiço.

As coisas terminam sim.
Quando vem o fim na noite do assim.

ARMAZENADO 35

ARMAZENADO 35

TRISTE DESCONJUNTAR

Desmanchados
não há três beijos
na poesia a escrever.

A língua entortou coração.
Só quer saber a menina do poema
da areia branca à beira do Atlântico.

Desmanchados
não há três beijos
no mar a amanhecer.

O coração cortou a língua.
Só quer saber a menina da poesia
do rio que deságua no fim oceânico.

ARMAZENADO 34

ARMAZENADO 34

AQUI ESTOU

Em 1 minuto sairei.
Em 2 passos voarei.
Em 3 triângulos pousarei.
Em 4 navios pensarei.
Em 5 oceanos navegarei.
Em 6 sóis me secarei.
Em 7 segundos viverei.

ARMAZENADO 33

ARMAZENADO 33

TEMPO LIVRE

Do segundo a outro
mundo volto,
escrevo, fico.

Do minuto a outro
pulo pretendo,
encontro, proponho.

Da hora a outra
aurora morro,
saudade, vivo.


ARMAZENADO 32

ARMAZENADO 32

ARMAZENADO 31

ARMAZENADO 31

ASPECTO DE UM DOS CORREDORES DO ARMAZÉM KID GÉO

ASPECTO DE UM DOS CORREDORES DO ARMAZÉM KID GÉO

ARMAZENADO 30

ARMAZENADO 30

ARRANCAÇÕES

Arrancado do vazio
por uma nave de estrada
me meto mimético na lua minguante.

Arrancado do nada
por uma faísca do tudo
me planto canto da lonjura em instante.

Arrancado do lácio
por um veneno na flor da garganta
me falo calado no quarto do fundo.

Arrancado da caça
por um tempo acabado
me atiro no tiro da munição do mundo.

Arrancado da acácia
por um perfume de goma de ponte
me deixo no eixo do solar da canoa.

Arrancado do cada
por uma ventania de silêncio
me colho no olho duma alma boa.

ARMAZENADO 29

ARMAZENADO 29

ARMAZENADO 28

ARMAZENADO 28

ARMAZENADO 27

ARMAZENADO 27

ARMAZENADO 26

ARMAZENADO 26

ARMAZENADO 25

ARMAZENADO 25

ARMAZENADO 24

ARMAZENADO 24

ARMAZENADO 23

ARMAZENADO 23

ARMAZENADO 22

ARMAZENADO 22

ARMAZENADO 21

ARMAZENADO 21

GRANDES VENTILADORES SUSPENSOS TENTAM REFRESCAR O ARMAZÉM KID GEO

GRANDES VENTILADORES SUSPENSOS TENTAM REFRESCAR O ARMAZÉM KID GEO

ARMAZENADO 20

ARMAZENADO 20

ARMAZENADO 19

ARMAZENADO 19

ARMAZENADO 18

ARMAZENADO 18

ARMAZENADO 17

ARMAZENADO 17

ARMAZENADO 16

ARMAZENADO 16

ARMAZENADO 15

ARMAZENADO 15

ARMAZENADO 14

ARMAZENADO 14

ARMAZENADO 13

ARMAZENADO 13

ARMAZENADO 12

ARMAZENADO 12

ARMAZENADO 11

ARMAZENADO 11

DIA E NOITE ELA ESTÁ NO ARMAZÉM. O CORAÇÃO DE KID GÉO FAZ TUM-TUM-TUM-TUM-TUM QUANDO A VÊ

DIA E NOITE ELA ESTÁ NO ARMAZÉM. O CORAÇÃO DE KID GÉO FAZ TUM-TUM-TUM-TUM-TUM QUANDO A VÊ

ARMAZENADO 10

ARMAZENADO 10

ARMAZENADO 9

ARMAZENADO 9

ARMAZENADO 8

ARMAZENADO 8

ARMAZENADO 7

ARMAZENADO 7

ARMAZENADO 6

ARMAZENADO 6

ARMAZENADO 5

ARMAZENADO 5

ARMAZENADO 4

ARMAZENADO 4

ARMAZENADO 3

ARMAZENADO 3

ARMAZENADO 2

ARMAZENADO 2

ARMAZENADO 1

ARMAZENADO 1

INÍCIO DAS ATIVIDADES DO ARMAZÉM KID GÉO

INÍCIO DAS ATIVIDADES DO ARMAZÉM KID GÉO
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